Norse Ice Mitologia nórdica

Criaturas

Anões e elfos: os artífices e a categoria mal definida

Praticamente tudo o que os deuses possuem de valor foi fabricado por anões. Já os elfos são mencionados o tempo todo e descritos quase nunca.

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Os deuses nórdicos não fabricam nada. O martelo de Thor, a lança de Odin, o navio de Freyr, o laço que prende Fenrir, o colar de Freyja, o cabelo de ouro de Sif — tudo saiu de oficinas subterrâneas. A tecnologia que sustenta o poder divino é terceirizada, e quem a fornece são os anões.

Os anões

A origem contraditória

Os tesouros

O episódio central é uma aposta. Loki corta o cabelo de Sif e, para escapar da fúria de Thor, promete uma substituição. Vai até os anões filhos de Ivaldi, que produzem três objetos: o cabelo de ouro, o navio Skíðblaðnir e a lança Gungnir. Não satisfeito, Loki aposta a própria cabeça com outros dois artífices, Brokkr e Eitri, dizendo que eles não conseguiriam igualar aquilo. Enquanto trabalham, Loki se transforma em mosca e os pica repetidamente para atrapalhar. Produzem mesmo assim o javali Gullinbursti, o anel Draupnir e o martelo Mjölnir — este último com o cabo curto demais, por causa da última picada. Os deuses julgam o martelo o melhor objeto de todos. Loki perde a aposta e escapa por um tecnicismo: prometeu a cabeça, não o pescoço. Brokkr, sem poder decapitá-lo, costura sua boca.

O martelo e sua arqueologia estão em Mjölnir e os amuletos de martelo.

Andvari e o ouro amaldiçoado

Um anão chamado Andvari vive em forma de peixe e guarda um tesouro. Loki o captura e o obriga a entregar tudo, inclusive um anel que ele tentara esconder. Andvari amaldiçoa o anel: ele destruirá quem o possuir. A maldição se cumpre ao longo de uma cadeia de mortes que atravessa o ciclo heroico da Edda Poética, envolvendo fratricídio, um homem que se transforma em dragão e a queda de uma dinastia inteira. É a narrativa mais longa preservada no corpus nórdico.

Alvíss e a luz

Em Alvíssmál, um anão chamado Alvíss — "todo-sábio" — chega para reivindicar a filha de Thor, prometida a ele na ausência do pai. Thor não recusa diretamente: propõe um teste de conhecimento, pedindo que ele dê os nomes de várias coisas nas línguas dos diferentes povos. O anão responde a tudo, com erudição impressionante. E enquanto responde, o sol nasce. Thor declara que ele foi enganado e que a luz do dia o alcançou. O anão se transforma em pedra. Este é o texto que fundamenta a ideia de que anões não suportam a luz solar. É uma única passagem, sobre um único personagem, e vários pesquisadores alertam contra generalizá-la para toda a categoria.

Os elfos

A fórmula "Æsir e álfar" aparece repetidamente na poesia para designar o conjunto dos seres sobrenaturais. Isso coloca os elfos em nível comparável ao dos deuses — e torna ainda mais estranho que nenhuma fonte explique o que eles são. Snorri oferece a divisão entre elfos de luz, mais belos que o sol e habitantes de Álfheim, e elfos escuros, mais negros que o breu e subterrâneos. A descrição dos segundos é quase idêntica à dos anões, o que levou muitos a suspeitar que sejam a mesma categoria. A divisão não aparece em nenhum poema eddico e pode ser criação do autor medieval, possivelmente influenciada por categorias cristãs.

Sabemos o nome de dezenas de anões e não sabemos o nome de um único elfo com narrativa própria. A diferença não é acidental, mas não temos como explicá-la.

Observação sobre o estado das fontes

Fontes deste guia

As obras abaixo são os textos medievais e os materiais arqueológicos em que este guia se apoia. Nenhum deles é contemporâneo aos eventos narrados, e as traduções disponíveis divergem em pontos importantes.

  • Völuspá (Edda Poética) Contém um longo catálogo de nomes de anões, cuja função no poema é discutida.
  • Alvíssmál (Edda Poética) Diálogo entre Thor e um anão que pretende sua filha, com desfecho ligado à luz do dia.
  • Skáldskaparmál (Edda em Prosa) Narra a fabricação dos tesouros dos deuses e a aposta entre artífices.
  • Sagas e fontes narrativas Mencionam sacrifícios dirigidos aos elfos em contexto doméstico.

Uma explicação mais longa sobre a formação, os limites e as divergências dessas obras está na página de fontes. Encontrou um erro ou uma imprecisão? Peça uma correção.