Norse Ice Mitologia nórdica

Os Nove Mundos

Svartálfaheim e Helheim: o subsolo dos artífices e o domínio dos mortos

Embaixo de tudo ficam duas regiões muito diferentes: uma onde se fabricam os melhores objetos do universo, outra para onde vai a maior parte das pessoas que morrem.

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Duas regiões costumam ser agrupadas na parte de baixo da cosmologia, e elas não têm quase nada em comum. Uma é uma oficina: é de lá que saem todos os objetos extraordinários dos deuses. A outra é um destino: é para lá que vai a maioria das pessoas depois de morrer.

Svartálfaheim

Praticamente tudo o que os deuses possuem de valor foi fabricado embaixo da terra. O martelo Mjölnir, a lança Gungnir, o anel Draupnir, o navio Skíðblaðnir, o javali Gullinbursti, o cabelo de ouro de Sif, o laço Gleipnir que prende Fenrir, o colar Brísingamen. Nenhum desses objetos foi feito pelos próprios deuses. Essa dependência é notável e raramente comentada. Os Æsir não são artífices; são proprietários. A tecnologia que garante seu poder vem de fora, obtida por encomenda, trapaça ou coação. Loki é, em quase todos os casos, o intermediário.

Os artífices em si estão em Anões e elfos.

Helheim

Quem é Hel

Hel é uma das três criaturas geradas por Loki com Angrboða. Quando os deuses se dão conta do perigo representado pelos três, ela é lançada para baixo e recebe autoridade sobre os mortos que não caem em combate. Snorri a descreve com o corpo dividido: metade de cor normal, metade escura como cadáver. Ela não é apresentada como maligna, não tortura ninguém e não julga ninguém. Cumpre uma função administrativa: recebe e mantém. A única vez em que age, negocia. Quando Hermóðr chega pedindo o retorno de Baldr, ela não recusa: impõe uma condição verificável e a cumpre à risca quando a condição falha.

O caminho até lá

A viagem é descrita com detalhe em dois episódios. Odin cavalga até lá para despertar uma vidente e interrogá-la sobre os sonhos de Baldr. Hermóðr cavalga nove noites por vales escuros e profundos até chegar ao rio. A ponte sobre o Gjöll é coberta de ouro reluzente e vigiada por uma figura que registra quem passa. Ela observa a Hermóðr que cinco tropas de mortos haviam cruzado no dia anterior e feito menos barulho do que ele sozinho — detalhe que sugere, de forma indireta, o volume do tráfego para aquele lado. Adiante há um portão alto. O cavalo de Odin o salta.

Náströnd

Völuspá descreve, entre as visões finais, um lugar chamado Náströnd, a praia de cadáveres: um salão feito de serpentes entrelaçadas, cujo veneno escorre por dentro, onde estão perjuros, assassinos e sedutores de esposas alheias. Esta é a passagem que mais se aproxima de uma noção de punição por conduta em todo o corpus, e por isso mesmo é suspeita de influência cristã. Ela não é apresentada como o destino comum, e sim como um lugar específico para categorias específicas de transgressores — justamente aquelas que quebram juramentos e laços de parentesco, as duas coisas que sustentavam aquela sociedade.

O panorama completo dos destinos possíveis está em O destino dos mortos.

Não há, na mitologia nórdica, um sistema de recompensa e castigo por conduta moral. Há destinos diferentes conforme a forma da morte — o que é uma lógica completamente distinta.

Conclusão sustentada pelo conjunto das fontes

Fontes deste guia

As obras abaixo são os textos medievais e os materiais arqueológicos em que este guia se apoia. Nenhum deles é contemporâneo aos eventos narrados, e as traduções disponíveis divergem em pontos importantes.

  • Völuspá (Edda Poética) Menciona Niðavellir e descreve a praia de cadáveres em uma das estrofes finais.
  • Gylfaginning (Edda em Prosa) Descreve Svartálfaheim, a figura de Hel, seu salão e o caminho percorrido por Hermóðr.
  • Baldrs draumar (Edda Poética) Narra a viagem de Odin ao domínio dos mortos para consultar uma vidente.
  • Grímnismál (Edda Poética) Fornece nomes de rios e elementos da geografia inferior.

Uma explicação mais longa sobre a formação, os limites e as divergências dessas obras está na página de fontes. Encontrou um erro ou uma imprecisão? Peça uma correção.