Norse Ice Mitologia nórdica

Símbolos

Símbolos nórdicos: o que é antigo e o que é invenção recente

Vários dos símbolos mais vendidos como "vikings" foram criados séculos depois da Era Viking, alguns no século XIX e outros ainda mais tarde. Este guia separa o que é o quê.

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Uma boa parte dos "símbolos vikings" vendidos em pingentes, tatuados e reproduzidos em ilustrações não existia na Era Viking. Alguns vêm de manuscritos islandeses escritos entre quinhentos e oitocentos anos depois. Outros foram criados no século XX. Isso não os torna ilegítimos como símbolos contemporâneos — torna incorreto chamá-los de antigos.

Este guia organiza o material em três camadas, com o critério explícito em cada caso.

Camada 1: documentados no período

O martelo

O melhor caso. Centenas de amuletos encontrados, um exemplar com inscrição rúnica que o identifica, moldes de fundição, distribuição ampla. Não há dúvida razoável.

O guia completo está em Mjölnir e os amuletos de martelo.

O entrelaçado de três triângulos

Conhecido hoje por um nome norueguês moderno que significa algo como "nó dos mortos", este sinal aparece efetivamente em contexto da Era Viking: em pedras figurativas de Gotland, em objetos do sepultamento de Oseberg e em outras peças. O que não temos é qualquer indicação do que ele significava. O nome pelo qual é chamado atualmente é criação moderna. A associação com Odin é inferida a partir dos contextos em que aparece — frequentemente ao lado de cenas que parecem envolver morte, sacrifício ou guerreiros — e é plausível, mas continua sendo inferência.

Entrelaçados, animais e nós

A arte nórdica da Era Viking é organizada em estilos sucessivos, identificados por arqueólogos a partir de características formais: figuras animais alongadas, membros entrelaçados, composições preenchendo toda a superfície disponível. São padrões decorativos com convenções próprias, documentados em grande quantidade. Atribuir a cada motivo um significado espiritual específico vai além do que a evidência permite.

Runas

Documentadas em milhares de inscrições. Eram escrita, com usos rituais secundários.

Os detalhes estão em Runas: escrita, história e usos reais.

Camada 2: islandeses tardios, não vikings

Aqui está a maior fonte de confusão. Vários sinais extremamente populares vêm de manuscritos mágicos islandeses dos séculos XVII a XIX. Esses documentos existem, são estudados e são interessantes — mas pertencem à Islândia cristã da Idade Moderna, não à Era Viking. Os dois sinais mais conhecidos desse grupo são um desenho radial de oito braços, associado a proteção e intimidação, e um sinal de orientação cujo nome significa algo como "indicador de caminho". Ambos aparecem pela primeira vez nesses manuscritos tardios. Nenhum deles é encontrado em contexto arqueológico da Era Viking. O segundo, em particular, é conhecido a partir de um manuscrito islandês do século XIX. Chamá-los de "símbolos vikings" é como chamar um objeto do século XIX de artefato medieval: a diferença de época é grande demais para ser ignorada.

Camada 3: criações modernas

O problema da apropriação

Uma parte do repertório visual nórdico foi apropriada por movimentos políticos extremistas, sobretudo a partir do século XX, em continuidade com leituras raciais do passado escandinavo formuladas no século XIX. Alguns pontos importantes:
  • Essas apropriações não têm base nas fontes medievais. A mitologia nórdica não contém doutrina racial, e a Escandinávia da Era Viking era um espaço de intenso contato, comércio e mistura com populações de todo o continente e além dele.
  • Organizações de praticantes de religiões nórdicas contemporâneas e pesquisadores da área rejeitam esse uso de forma explícita e pública.
  • A grande maioria das pessoas que usa esses símbolos não tem qualquer relação com esses movimentos.
  • Ao mesmo tempo, alguns sinais adquiriram associações que independem da intenção de quem os usa, e conhecer esse contexto é parte de lidar com o assunto de forma informada.

Saber a origem real de um símbolo é a melhor defesa contra quem inventa origens convenientes para ele.

Razão pela qual este guia existe

Como verificar qualquer símbolo

  1. Existe um objeto?

    Procure o achado arqueológico concreto: a pedra, o pingente, a peça de metal. Se o símbolo só aparece em ilustrações modernas, isso responde a pergunta.

  2. De quando é o objeto?

    Um manuscrito do século XVIII é uma fonte real sobre o século XVIII. Não é fonte sobre a Era Viking.

  3. O significado está documentado ou é atribuído?

    Muitos sinais antigos existem sem explicação. Significados detalhados e sistemáticos costumam ser acréscimo moderno.

  4. Quem afirma isso?

    Publicações de museus, universidades e serviços nacionais de patrimônio são mais confiáveis do que lojas e compilações sem referência.

A posição deste site

Símbolos contemporâneos inspirados na tradição nórdica são legítimos como símbolos contemporâneos. Pessoas criam significados novos o tempo todo, e isso é o que uma tradição viva faz. O problema é só de rótulo. Chamar de antigo o que é recente apaga a história real e, com ela, a possibilidade de distinguir o que uma cultura de fato produziu daquilo que projetamos sobre ela.

Fontes deste guia

As obras abaixo são os textos medievais e os materiais arqueológicos em que este guia se apoia. Nenhum deles é contemporâneo aos eventos narrados, e as traduções disponíveis divergem em pontos importantes.

  • Pedras figurativas de Gotland e achados de Oseberg Fonte para os símbolos efetivamente documentados no período, como o entrelaçado de três triângulos.
  • Manuscritos mágicos islandeses dos séculos XVII a XIX Origem de vários sinais hoje vendidos como vikings, incluindo os mais populares. São documentos reais, apenas muito posteriores ao período nórdico antigo.
  • Corpus rúnico escandinavo Referência para distinguir sinais de escrita de sinais decorativos ou rituais.

Uma explicação mais longa sobre a formação, os limites e as divergências dessas obras está na página de fontes. Encontrou um erro ou uma imprecisão? Peça uma correção.