Norse Ice Mitologia nórdica

Deuses e deusas

Tyr: o deus que paga o preço do juramento

Aparece em poucas histórias e em uma delas faz a coisa mais difícil do corpus: coloca a mão na boca de um lobo sabendo exatamente o que vai acontecer.

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Os deuses precisam prender um lobo que crescerá até destruir o mundo. A corrente mágica só será aceita se alguém garantir, com a própria mão, que não há armadilha. Todos sabem que há. Tyr coloca a mão na boca do animal mesmo assim, e a perde. É o gesto mais limpo de toda a mitologia nórdica, e quase não há mais nada sobre ele.

O sacrifício

O lobo Fenrir cresce em Asgard e nenhum vínculo o segura. Os deuses encomendam a anões uma corrente feita de coisas que não existem — o barulho do passo de um gato, a barba de uma mulher, o fôlego de um peixe — e obtêm um laço fino e aparentemente inofensivo. Fenrir desconfia. Aceita ser amarrado com uma condição: que um dos deuses coloque a mão em sua boca como penhor de boa-fé. Os textos são explícitos em registrar que ninguém quis, porque todos sabiam que era engano. Tyr avança. Quando o laço se mostra inquebrável, o lobo fecha a mandíbula. Tyr perde a mão. Snorri acrescenta um detalhe cortante: os deuses riem, exceto Tyr.

O episódio completo, do ponto de vista do lobo, está em Fenrir.

Indícios de uma importância anterior

O nome é a pista principal. Týr deriva de uma raiz indo-europeia que originou, em outras línguas, termos genéricos para "deus" e nomes de divindades celestes de primeira grandeza em várias tradições antigas. Em nórdico antigo, a palavra manteve os dois usos: nome próprio de uma divindade específica e termo comum para "deus", empregado inclusive em construções referentes a Odin. Essa duplicidade sugere um percurso: uma divindade que já ocupou posição central e foi, com o tempo, deslocada — um processo que teria terminado antes do período documentado.

O pouco que resta

Fora do episódio de Fenrir, Tyr aparece de passagem. Em Hymiskviða, acompanha Thor a Jotunheim em busca de um caldeirão gigantesco, e o jötunn visitado é apresentado como seu parente. Em Lokasenna, tenta defender Freyr e recebe de Loki um insulto que mistura a mutilação com uma acusação sobre sua esposa. No Ragnarök, enfrenta Garmr, um cão associado ao mundo dos mortos, e os dois se matam. Alguns pesquisadores sugerem que Garmr e Fenrir possam ser a mesma figura sob nomes distintos, o que tornaria o encontro final um acerto de contas. A proposta é razoável e não é consensual.

O nome no calendário

Quando os povos germânicos adaptaram o sistema romano de dias da semana, associaram cada dia a uma divindade equivalente. O dia dedicado a Marte recebeu o nome de Tyr, o que sobrevive até hoje em várias línguas germânicas. Esse tipo de correspondência é informativo, mas grosseiro. Os romanos que faziam essas equivalências buscavam paralelos aproximados, não descrições precisas, e o resultado diz tanto sobre como os observadores classificavam quanto sobre as divindades classificadas.

Fontes deste guia

As obras abaixo são os textos medievais e os materiais arqueológicos em que este guia se apoia. Nenhum deles é contemporâneo aos eventos narrados, e as traduções disponíveis divergem em pontos importantes.

  • Gylfaginning (Edda em Prosa) Fonte principal do episódio do aprisionamento de Fenrir e da perda da mão.
  • Lokasenna e Hymiskviða (Edda Poética) Registram sua participação em episódios menores e confirmam a mutilação.
  • Evidência linguística comparada O nome remonta a uma raiz indo-europeia associada a divindade celeste, com correspondentes em várias línguas antigas.
  • Inscrições do período romano na Britânia Dedicatórias feitas por soldados germânicos associam uma divindade a funções de assembleia, o que costuma ser relacionado a Tyr.

Uma explicação mais longa sobre a formação, os limites e as divergências dessas obras está na página de fontes. Encontrou um erro ou uma imprecisão? Peça uma correção.